sábado, 12 de julho de 2008

Rosas

Rosa! És a flor mais bela e mais gentil
Entre as flores que a Natureza encerra;
Bendito sejas tu, ó mês d'Abril
Que de rosas inundas toda a terra!
Brancas, vermelhas ou da cor sombria
Do desespero e do pesar mais fundo,
Sois símbolos d'amor e d'alegria
Vós sois a obra-prima deste mundo!
Ao ver-vos tão bonitas, tão mimosas
Pra só vos contemplar, ó orgulhosas.
Eu abençoo então a Natureza,
E curvo-me ante vós com humildade
Ó rainhas da graça e da beleza!

Florbela Espanca

As duas rosas

São duas rosas unidas,
São duas flores nascidas
Talvez no mesmo arrebol.
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Vivendo... bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho no céu.
Como um casal de rolinhas
como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Vivendo, bem como os prantos
Que em parelhas descem tantos
Das profundezas do olhar
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto
Como as estrelas do mar.

Vivendo... ai, quem pudera
Numa eterna primavera,
Viver qual vive esta flor
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e floria,
Na verde rama do amor.

Castro Alves